| Especial
Coluna do Tênis
Frases verdadeiras que valem por muitas aulas
Por Henrique Terroni Filho
Quando juvenil, atravessei uma fase em que perdia muitos jogos pela ansiedade em fechar os pontos. Foi então que meu pai, certa noite ao jantar, disse-me: “No tênis, se você devolver cinco bolas e eu a sexta e você não devolvê-la, ganho o ponto. Se devolver nove e eu a décima, a mesma coisa. E assim por diante. Conclusão: ganho o jogo pela regularidade e paciência.” Isto bastou! Passei a minimizar a ansiedade, até eliminá-la, e voltei a vencer. A frase me mostrou que a pressa em “matar” o ponto, definir a jogada, pode nos induzir a perder o ponto e, persistindo, a perder o jogo.
Meu pai, professor experiente, usava frases que, dizia ele, muitas vezes valiam por uma ou muitas aulas. Certa vez, ao perceber que eu estava novamente ansioso durante os jogos e esta ansiedade fazia com que eu arriscasse desnecessariamente e perdesse pontos fáceis, repetiu o alerta. Disse a ele que assistira jogos de profissionais e estes batiam na bola “com vontade” a fim de definir os pontos. Ele aproveitou e deu-me uma lição, definindo a diferença entre profissionais e amadores, e encerrou dizendo: “No profissionalismo, leva vantagem quem acerta mais. No amadorismo, quem erra menos.”
É evidente que os erros não forçados derrubam a maioria dos amadores. Faça uma análise dos últimos jogos que perdeu e verá que, talvez, você tenha mais dado pontos ao adversário do que os pontos que ele realmente conquistou.
É evidente que as situações acima não sinalizam que devemos jogar um tênis medroso, sem ousadia, sem arriscar. Apenas devemos ousar com inteligência, no momento certo. Isto para mim ficou claro quando, num momento de minha ascensão nas competições, “bateu o medo”. O braço começou a travar. O receio de errar fez com que a minha bola não mais andasse, meu jogo ficou curto. Quanto mais medo eu tinha, mais errava! Novamente, meu pai “fez minha cabeça” e disse-me: “O medo de errar leva ao erro!” Parece óbvio e realmente é! Quanto mais seguramos o braço, mais o adversário cresce para cima de nós. Cometemos erros unicamente pelo medo de errar. Mais medo, mais erros! Elimine o medo. Conscientize-se de que você é um amador e não precisa provar nada a ninguém. Relaxe e jogue o seu jogo!
Anos mais tarde, já como professor, buscava uma expressão que resumisse minhas orientações, principalmente junto aos iniciantes, no sentido de que bater na bola com uma força descontrolada, jogando-a além dos limites da quadra, não era sinônimo de progresso, muito menos de “jogar bem”. Um dia, de dentro do carro, vi uma propaganda em um outdoor que resumia tudo o que eu queria dizer. Era uma anúncio de pneus com um grande leopardo negro em cima. E comecei a dizer aos alunos o que estava escrito na propaganda: “Potência não é nada, sem controle!” Todos entenderam que bater na bola descontroladamente, sem objetivo, direcionamento e fora dos limites, não levaria ninguém a lugar nenhum. Não adianta a força se usada sem inteligência!
Recentemente recebi de um leitor uma frase realmente verdadeira. Relatava ele a incapacidade de levar às competições toda a facilidade técnica, física e emocional que desenvolvia nos treinamentos. Problema que aflige a grande maioria dos amadores, assunto de inúmeros e-mails que recebo e responsável por matérias já publicadas. Com bom humor, escreveu-me: “Treino como um leão, jogo como um gatinho.” É uma grande verdade! Você que neste momento lê esta matéria já não passou por isso? Uma fera no treino e um lorde no jogo?
Algumas frases estão aí! Já identificou a que se aplica atualmente ao seu jogo? Uma, duas, todas? Muito bem, reflita sobre ela, faça as devidas correções e “bola para frente”, literalmente!
O GOLPE NÃO ESTÁ FUNCIONANDO?
Por Henrique Terroni Filho
Quem já não passou por isto?
Se for um aluno que está aprendendo, ainda nas primeiras aulas, enquanto todos os fundamentos vão gradativamente sendo assimilados, um teima em não evoluir!
Se já está num estágio mais evoluído, jogando com amigos ou em competição, de repente, sem um motivo aparente, um golpe começa a declinar.
Pode ser o forehand, backhand, saque, voleio, etc. Pode surgir e desaparecer rapidamente, num treinamento ou num jogo. Mas pode perdurar por semanas ou meses. Quando isto ocorre, costumo dizer que o tenista entrou na síndrome do golpe.
Normalmente, quando acontece, é comum o jogo declinar como um todo. Os outros fundamentos, que vinham funcionando bem, parecem ficar contaminados pelo golpe que não está funcionando.
Por que isto ocorre?
Pelo fato de que, inconscientemente, o tenista começa a focar toda a sua atenção no golpe que está falhando. O passo seguinte é a ansiedade, como se todo o jogo se resumisse naquele fundamento. Fazê-lo voltar ao normal passa a ser uma obsessão e como isto normalmente não ocorre de imediato, surge a insegurança, irritação pelos erros cometidos e quando ele se dá conta todo o seu jogo está comprometido.
O que fazer?
A primeira providência é mental. Pura e simplesmente "esquecer" o golpe. Minimizar a excessiva importância que o jogador estava dando a ele, por não estar funcionando, e valorizar os demais fundamentos. Afinal, o jogo não se resume a um forehand, backhand, saque ou voleio. Todos os golpes apresentam o mesmo grau de dificuldade e importância.
Em muitos casos, apenas esta atitude simplista de dar ao fundamento a sua real importância, dentro do contexto do jogo como um todo, rapidamente resolve o problema. Pode-se perguntar: "Mas por que isto aconteceu?" Muitas vezes não há uma causa aparente. No tênis é normal um golpe entrar em "baixa" temporariamente. Ou motivado por um fato concreto. Uma mudança na mecânica do golpe, até meio inconsciente, por ter visto alguém fazendo diferente, o uso de uma variação, slice ou spin, sem ainda estar preparado ou orientado, querer obter um desempenho do golpe superior às condições do momento, etc. Voltar ao "arroz com feijão" e deixar as coisas evoluírem normalmente pode ser a solução.
Muito bem! Você "desencanou", tirou o foco do golpe, minimizou sua importância e tudo está resolvido, certo?...Não necessariamente! Após o trabalho mental, persistindo o problema, é hora de cuidar da parte técnica. O primeiro passo é analisar friamente o que está ocorrendo com o golpe, uma vez que toda falha tem uma causa e um efeito.
Imaginemos que o problema seja o backhand. A bola está subindo muito? Ou ficando na rede? Pode ser a angulação da raquete no momento do contato com a bola, motivada por uma empunhadura inadequada. O golpe não tem potência, velocidade ou profundidade? Provavelmente a preparação está atrasada e não está havendo a correta transmissão do peso do corpo no momento do golpe. Problemas no direcionamento, paralelas e cruzadas? Com certeza o golpe está fora do "time" no ponto de contato específico.
Detectada a causa que está ocasionando o problema, é hora do trabalho braçal. O golpe, após ser corrigido, deve ser repetido várias vezes, a princípio lentamente e aumentando gradualmente conforme a confiança for aumentando, até o ponto ideal que é o equilíbrio com os demais fundamentos. Este trabalho é aconselhável que seja coordenado e orientado por um profissional.
É de fundamental importância que neste processo não pode haver ansiedade nem pressa. Deixe as coisas acontecerem e evoluírem naturalmente. E é importante lembrar que os outros golpes não podem ser esquecidos. Caso contrário, conserta-se o que não estava funcionando e um outro começa a falhar. E aí começamos tudo de novo!
MUDANÇAS...VALE A PENA?
Por Henrique Terroni Filho
Há tempos atrás, tudo que sabíamos do desempenho dos grandes tenistas, nos maiores torneios do mundo, limitavam-se a resultados no rodapéde páginas esportivas de algum jornal.
Quantas pessoas, hoje, saberiam definir o estilo do lendário Rod Laver? Quantas viram a direita de Adriano Panatta? Ou mais recentemente, a frieza de Bjorn Borg, a força mental de Ivan Lendl e Pete Sampras ou a legendária devolução de saque de Jimmy Connors?
No Brasil, quantas meninas que buscam "um lugar ao sol" no circuito profissional sabem da perfeição do estilo saque-voleio da campeoníssima Maria Esther Bueno? A história destes, e outros grandes campeões, está restrita a velhos filmes, alguns em branco e preto, de qualidade rudimentar.
Hoje, a tecnologia fala mais alto. Assistimos aos grandes jogadores, nos torneios pelo mundo afora, em tempo real e em cores. Câmeras espalhadas pela quadra captam, em close, até as expressões de angústia e euforia dos tenistas. Recursos tecnológicos de computação gráfica não deixam dúvidas, para quem está vendo o jogo pela TV, se uma bola foi boa a mais de 200 km por hora. As transmissões pelas TVs a cabo mostram o jogo na íntegra por três, quatro horas ou mais. Podemos gravar um jogo, assisti-lo várias vezes, congelar uma imagem e por aí afora! Afinal, vivemos a época da globalização, da TV de alta definição, do DVD, do computador e da Internet. Tudo bem?... em termos!
Esta tecnologia, maravilhosa, que nos põe em contato com o tênis de alto desempenho, algumas vezes complica o trabalho... do professor! Estranho? Nem tanto! Ocorrem, no dia a dia, situações que chegam a ser cômicas!
Vou relatar um fato recente, que me aconteceu. O aluno, como de costume, chega para a aula! Após as primeiras trocas de bolas, percebo que algo está estranho, fora do contexto! Pergunto: "O que você está fazendo?"
A resposta é a que eu temia: "Sabe", inicia o aluno todo empolgado, "ontem assisti pela TV um jogo de profissionais e percebi que ambos os tenistas usavam as duas mãos para bater a esquerda e resolvi que a minha esquerda também será assim. Brevemente, com sua ajuda, meu backhand será indefensável!"
Penso: "O que será que ele quer dizer com brevemente?"
É importante salientar que, quando iniciei no tênis, criança ainda, a esquerda era ensinada somente com uma mão. Usar duas mãos era uma heresia, um erro técnico que qualquer professor imediatamente corrigia. Mas a evolução do tênis, através de novos pisos, alteração na biomecânica dos golpes, iniciação mais cedo, aperfeiçoamento dos equipamentos etc. fez com que conceitos, no passado dogmáticos, fossem revistos. Hoje, não se pode dizer "errado" um fundamento utilizado pela maioria dos grandes profissionais. Atualmente, ao ensinar a esquerda a um novo aluno, mostro as duas opções. Ele escolherá a que melhor se adapte.
Mas, voltemos ao aluno. Observo: "Seu backhand com uma mão é muito bom! Há quanto tempo você o executa?" "Desde que comecei a jogar, há uns 20 anos", ele me responde.
Inicio a explicação, necessária, tantas vezes proferida: "Se você realmente quer mudar sua esquerda, podemos iniciar o trabalho agora mesmo. Mas é importante que você saiba que, no tênis, a mudança radical de um fundamento para quem, como você, o executa há muito tempo, não é uma coisa simples, da noite para o dia. Teremos que alterar a empunhadura, preparação do golpe, tempo da bola, ponto de contato etc, para depois pensarmos em direcionamento - paralelas e cruzadas. Isto levará tempo. Enquanto isto, você ficará praticamente sem esquerda, sem condição de jogar no fim de semana, que você tanto curte! Os profissionais que você viu executam o golpe com duas mãos desde criança, treinando várias horas por dia, durante anos. E então, vamos começar?"
O aluno, após alguns segundos pensativo, faz a pergunta que eu esperava: "Você acha que vale a pena?" Ao que respondo: "Sinceramente?... não!" E ele, novamente empolgado: "Vamos reiniciar a aula. E mande algumas bolas na minha velha e boa esquerda com uma mão só!"
Este não foi o primeiro, nem o último caso, em que o amador decide mudar sua forma de jogar, desenvolvida em muitos anos de prática, por ter visto algum profissional fazendo diferente. O resultado é que não fará o que sempre fez e nem o que deseja fazer.
Que lição podemos tirar disto? Parece-me claro! A mudança radical de um fundamento, para o amador, somente deverá ser implementada se este fundamento, seja ele qual for, pela sua mecânica errada, estiver comprometendo o jogo como um todo. E esta é uma decisão que deverá ser tomada em conjunto com seu professor ou técnico. Mudar para copiar o profissional A, B ou C, está totalmente fora da realidade. Por mais que o amador assista, reprise, analise, solicite ao seu professor, ele não terá a direita ou esquerda ou saque do Federer. Deverá jogar seu "arroz com feijão" e... divertir-se!
“INTELIGÊNCIA TENÍSTICA” – ISTO EXISTE?
Por: Henrique Terroni Filho
Durante muito tempo o conceito de “inteligência” esteve condicionado à capacidade da pessoa em resolver exercícios e problemas numéricos ou similares, verdadeiras “pegadinhas” que resultavam no célebre “QI”. O coeficiente mais alto indicava que o indivíduo era mais inteligente. Hoje, por várias razões, um conceito plenamente discutível.
Posteriormente, os estudiosos do comportamento humano ampliaram a questão e criaram o conceito da “Inteligência Emocional”, em que não mais apenas a racionalidade e o raciocínio rápido definiam a pessoa inteligente, mas também sua interação com o meio e a sociedade, sua capacidade de manter o equilíbrio e a tranqüilidade, administrando suas emoções quando submetido a pressões.
Hoje se admite uma “generalização” da inteligência. A quem possui um destaque, por exemplo, nas artes – um grande pintor, escultor, ator, músico, escritor, a um grande artista, enfim – é creditada uma inteligência artística, verbal ou auditiva. A um empresário de sucesso, diz-se ter uma inteligência administrativa ou empreendedora. Desta forma, quem se destaca em qualquer área de atividade dizemos ser uma pessoa inteligente, mesmo que esta ”inteligência” seja direcionada apenas para uma atividade específica. Nesta linha, podemos incluir os esportistas.
É inegável a inteligência de um Pelé quando jogando futebol, de um Senna ou Schumacher pilotando um F-1 e de tantos outros astros nos mais variados esportes que atingiram o ápice nas suas carreiras. Estes esportistas, nas suas especialidades, atingiram o máximo em seus desempenhos espaciais e temporais, características de uma inteligência esportiva ou “corporal” diferenciada dos cidadãos comuns.
Como vemos, definir inteligência ou alguém inteligente é algo subjetivo e abstrato, que se modifica permanentemente segundo os critérios adotados para mensurá-la.
E no tênis? Existe uma “inteligência tenística?” Vamos nos abstrair dos tenistas profissionais, que pela excelência do desempenho são diferenciados. Vamos nos focar nos amadores, iniciantes ou avançados, muitos jogadores de fim de semana. Será que podemos definir quem tem um “QI tenístico”, sem evidentemente entrarmos no mérito de condições intelectuais gerais?
Quando era juvenil, na véspera de jogar uma final, perguntei ao meu pai o que fazer para vencer, visto que meu adversário tinha as mesmas condições técnicas do que eu. Meu pai respondeu-me: “Você terá que usar a cabeça. Ser inteligente na quadra”. Fez uma pausa e acrescentou: “Primeiro entrar focado no objetivo da vitória e concentrado unicamente no jogo. Só assim você traçará uma estratégia e explorará os pontos falhos do adversário. Segundo, dominar as emoções. Jamais se irritar, pois a irritação tolhe o raciocínio e induz a decisões erradas que levam à derrota. Resumindo: use a inteligência”. Desnecessário dizer que venci o jogo.
Daí em diante ficou claro que evoluir no tênis não bastava bater forte na bola e correr mais que o adversário. Era necessário algo mais, que fizesse a diferença. Na fase do aprendizado é necessário humildade, empenho, ouvir e aplicar os ensinamentos. Repeti-los até a exaustão. E em competição, para vencer, era fundamental “pensar” o jogo. Adotar uma estratégia e alterá-la, se necessário. Tudo isto temperado com calma, equilíbrio, controlando as emoções. Jamais se irritando e administrando o esforço físico. Adotando estas atitudes, estaria sendo inteligente na quadra.
Mas a “inteligência tenística” é mais abrangente. Sempre orientei os alunos que entre amadores o tênis deve ser visto como uma atividade saudável e prazerosa. Treinar e jogar com prazer, sabendo que ganhar ou perder são normais. O esforço físico deve ser compatível com o nível técnico, condição física e faixa etária. Ultrapassar limites, a vitória acima de tudo, o mau humor nas derrotas, não são atitudes inteligentes. A verdadeira inteligência é jogar com prazer, usufruir o que o tênis pode nos proporcionar e encarar vitórias com humildade e derrotas como um aprendizado. Isto é ser inteligente na quadra.
Certa vez, numa palestra aos alunos, ouvi meu pai dizer: “Muitos pensam que o tênis é jogado com a raquete. Estes são os jogadores comuns. O jogador diferenciado, o vencedor, sabe que a raquete é apenas um instrumento. Que o verdadeiro tênis é jogado com a...cabeça”!
Diante disto, alguém duvida da existência de uma “inteligência tenística?”
TÊNIS – UMA LIÇÃO PARA A VIDA
Por Henrique Terroni Filho
Nesta matéria relato que jogar tênis pode ser uma excelente ferramenta para o nosso desenvolvimento pessoal.
Certa vez, por indicação, fui procurado por uma pessoa interessada em aprimorar seu jogo. Era um renomado psiquiatra. Após uma breve conversa inicial, onde o interessado me faz um resumo de sua “história” no tênis, faço a pergunta mais importante, que vai balizar o desenvolvimento das aulas: “O que você busca no tênis e o que espera das aulas?”
As respostas são as mais variadas, nenhuma que eu não conheça, que já não tivesse ouvido: aprimoramento de um fundamento ou do jogo como um todo, ganhar do amigo de quem anda apanhando, melhoria do condicionamento físico, descarregar o estresse do dia a dia, e tantas outras!
Porém, a resposta daquele psiquiatra me surpreendeu: “O tênis é minha terapia. Através dele encontro-me comigo mesmo, com o meu Eu interior e verdadeiro. É o meu processo de autoconhecimento, equilíbrio e a forma ideal de evolução enquanto pessoa”.
Era a primeira vez que eu ouvia aquilo!
Nos dias atuais, a abordagem da necessidade do desenvolvimento mental e emocional para o sucesso de qualquer atividade tornou-se algo comum. Mas tratar disto a 30 anos atrás soava como algo de vanguarda, no mínimo surpreendente.
Percebi que ali teria início, muito mais que uma mera relação professor e aluno, uma rica troca de experiências quando, sob vários aspectos, eu aprenderia muito.
Durante o tempo que esteve em aulas, enquanto eu aprimorava seu jogo no aspecto técnico, aprendia com ele a importância do equilíbrio da razão e da emoção, quer num simples aprendizado e evolução do tênis, mas principalmente no nosso dia a dia pessoal e profissional.
Quando interrompemos as aulas, por questões da exigüidade do tempo dele, continue aprofundando-me no assunto através de estudos, cursos e observações, com o objetivo de aplicar em aulas, com futuros alunos, aquela experiência marcante.
Hoje, para mim, ficou claro que podemos usar o aprendizado do tênis como uma nova consciência de conduta profissional, através de uma visão holística da perfeita integração do corpo, mente e emoções.
Desta forma, não é difícil identificar nos alunos, nas primeiras aulas, os componentes de personalidade que irão retardar e dificultar sua evolução e que, provavelmente, são suas características pessoais. Surgem claramente sinais de ansiedade, euforia ou frustração exagerada, irritabilidade, agressividade ou inibição exacerbadas, dificuldades de concentração, etc. Na quadra mostramos nosso “eu” real. Somos o que somos.
Neste processo, o papel do professor é fundamental. É necessário que, paralelamente aos ensinamentos técnicos tradicionais, ele discuta e trabalhe com o aluno aqueles aspectos comportamentais que dificultarão o aprendizado e a evolução. Nas crianças, evidentemente esses aspectos deverão ser apresentados e discutidos com os pais.
Desnecessário dizer que apenas fazer o aluno correr de um lado para o outro não levará a lugar algum.
Você, que está iniciando no tênis ou buscando um aprimoramento, algumas sugestões que, acredito, ajudará muito.
Em primeiro lugar, adote a HUMILDADE. Lembre-se sempre que somos eternos aprendizes. Você não precisa provar nada para ninguém. Harmonize-se com suas qualidades e defeitos, mas sempre buscando o melhor. Abandone a presunção que você é o centro das atenções e que há uma platéia assistindo-o e julgando-o.
Treine o CONTRÔLE EMOCIONAL. Aprenda a controlar suas emoções, tanto de euforia como de frustração. Nunca se irrite. A raiva distorce os pensamentos e decisões. Neste estado você não reflete uma situação desfavorável, seja num simples jogo ou numa situação de vida.
Importante também é a DETERMINAÇÃO. É o jamais desanimar perante as dificuldades. Não esmoreça nem crie bloqueios. Persista, faça de novo! Elimine de seu vocabulário o “não posso”, “não consigo”. A evolução e a vitória estão, em primeiro lugar, na sua mente.
Por fim, nada se realiza sem o EMPENHO. Vencida as barreiras comportamentais, é hora da transpiração. “Pegar na massa!” Treine muito! Repita o golpe “mais ou menos” quantas vezes for necessário até ele ficar bom. Ou melhor, ótimo!
Agindo assim, seu progresso será visível e rápido. E sua evolução dar-se-á não só como tenista, mas também como pessoa. E é sempre oportuna a conhecida frase: “O primeiro, maior e mais difícil adversário a ser vencido, é você mesmo!”
0
SERÁ QUE ESTÁ NA HORA DE COMPETIR?
Por Henrique Terroni Filho
Em qualquer atividade, o sucesso está diretamente ligado à somatória de conhecimentos, técnicas e experiências, adquiridos no momento certo. Com isto estaremos preparados para enfrentar os momentos de pressão e tensão que a atividade, inevitavelmente, virá nos exigir no decorrer da vida. No esporte, notadamente no tênis, isto é claramente observado.
Certa vez, um pai procurou-me para ensinar seu filho, de 11 anos, a jogar tênis. O menino tinha dificuldades de sociabilização, era arredio, e o pai julgava que o esporte poderia ajudá-lo. De imediato percebi que ele era exageradamente tímido e introvertido. Combinamos iniciar na semana seguinte.
Após algumas aulas, percebi com satisfação que além de ensinar os primeiros fundamentos, estava gradualmente conseguindo que o menino se soltasse, deixando de ser tão tímido, calado e arredio. Entusiasmava-me ver a alegria dele em vir à aula, como conversava, brincava e ria. Eu estava tendo sucesso na minha proposta prioritária, que era interagir com ele. O ensinar tênis, naquele momento, era absolutamente secundário. Havia, ainda, muito trabalho a fazer.
Um dia o pai informou-me que o menino não queria mais vir às aulas nem jogar tênis. Surpreendido, quis saber a razão. Ele, meio constrangido, como se confessasse uma falta, explicou:
“Acho que cometi um erro. Houve um torneio no meu Clube e convencido por outros pais, coloquei meu filho para competir. Na verdade, ele não queria. Em que pese serem todos da mesma idade, os outros eram mais preparados, com mais tempo de tênis. Meu filho levou uma “surra” logo no primeiro jogo. Saiu da quadra chorando, está muito abalado, quase não come nem conversa. Apenas diz que não quer continuar com o tênis”
Disse ao pai que ele realmente havia cometido um grande erro. Devia antes ter conversado comigo, quando diria que seu filho não estava preparado para competir e que com sua atitude eu iria interromper meu trabalho que objetivava gradualmente tornar o menino menos tímido e arredio.
A questão é delicada. Educadores, psicopedagogos e psicólogos alertam para a seriedade que é submeter a criança a pressões, cobranças e estresses.
E o tênis competitivo envolve tudo isto. Contrariamente aos esportes coletivos, em que as responsabilidades pela vitória ou derrota estão diluídas pelo grupo, o tênis é um esporte individual. O jogador é o único responsável por um bom ou mau desempenho, pelo sucesso ou fracasso, por ganhar ou perder. Ele é o foco das atenções e todos os olhos estão voltados para ele.
Evidentemente, a pressão psicológica é grande e o equilíbrio emocional é constantemente posto à prova. Se um adulto, muitas vezes, tem dificuldade em lidar com isto, a criança em formação nos aspectos mentais e emocionais, características de personalidade e valores, é muito mais susceptível.
Uma criança sendo derrotada por outra, muitas vezes de forma humilhante, na presença dos pais, familiares, amigos, professor e estranhos, poderá ter diferentes reações. Encarar o fato com tranqüilidade, espírito esportivo (muito raro!), “tirar de letra” ou ficar traumatizada, com reflexos no momento ou posteriores.
Pode-se pensar que sou contra crianças lançarem-se às competições. Não, não sou contra. Desde que previamente avaliadas quais serão suas reações no momento e posteriores, quando expostas a situações de pressão e estresse.
Neste processo, o papel do professor é fundamental. Ele, melhor do que ninguém conhece o potencial e limitações, as qualidades e bloqueios da criança que está a seus cuidados, num processo de aprendizado ou aperfeiçoamento. E com sua experiência e sensibilidade, saberá o momento exato em que a criança estará apta a lidar com as pressões que uma competição exige, com a euforia de uma vitória ou com a decepção de uma derrota.
Através de suas observações em aula do comportamento da criança em simulações de jogos, com facilidade poderá avaliar o momento técnico e principalmente emocional da criança. E deverá, com autoridade e profissionalismo, manifestar sua opinião técnica aos pais, caso estes insistam em lançar, prematuramente, os filhos em competições.
Desta forma teremos crianças jogando tênis de uma forma saudável e prazerosa. E pais menos estressados se os filhos não vierem a ser um novo Guga.
A propósito...O menino do início da matéria, na época, retornou às aulas. Á princípio, hesitante. Gradualmente mais solto e alegre. Lembro-me de ter dito ao pai que competições...Quando eu o julgasse apto, mas, principalmente, se ele quisesse...!
HENRIQUE TERRONI FILHO – 03/08/2008
0
UMA CONVERSA COM OS TENISTAS
Por Henrique Terroni Filho
É com imensa satisfação que inicio esta série de matérias sobre tênis no site oficial do Clube Alto dos Pinheiros, onde atualmente sinto-me honrado em ministrar aulas para adultos e crianças. Vejo com profissionalismo e responsabilidade a oportunidade de falar e interagir com os tenistas, iniciantes e avançados, adultos, adolescentes e principalmente com os pais.
Os assuntos abordados versarão sobre problemas e bloqueios que atrapalham e retardam o aprendizado, para iniciantes, e evolução, para intermediários e avançados. Haverá orientações objetivando evitar lesões e contusões, bem como dicas para ter sucesso nos jogos e vencer aquele amigo que anda levando vantagem. Trarei também fatos pitorescos, às vezes cômicos, dos quais sempre podemos extrair alguma lição ou aprendizado. Haverá matérias para os pais tratando de assuntos técnicos e comportamentais de seus filhos. O cenário tenístico nacional e internacional também terá destaque, sempre que surgir a oportunidade.
As matérias são frutos de muitos anos dentro do tênis, como jogador de competição, amador e profissional, das observações e experiências com aulas e treinamentos para adultos e crianças como professor e instrutor. Já há algum tempo, colunista no site Tenisbrasil, conceituado veículo de informação, orientação e instrução do tênis amador e profissional dentro e fora do país, de abrangência e penetração nacional e internacional.
A matéria inaugural abordará uma questão polemica, que é a conveniência de lançar crianças em competições.
Estarei sempre a disposição para dirimir dúvidas, prestar esclarecimentos, receber observações e sugestões.
A participação do amigo leitor, tenista ou não, será de fundamental importância para o sucesso da coluna.
Até breve
Henrique Terroni Filho
0
0
Henrique Terroni filho, primeira classe da Federação Paulista de Tênis participou de competições oficiais nacionais e internacionais até meados de 1970. Professor de tênis para adultos e crianças há 25 anos. Diretor e consultor em Clubes e Academias nas áreas administrativa, financeira e técnica. Colunista no site Tenisbrasil. Formação superior com cursos de extensão em áreas do esporte e fora dela. Atualmente professor no Clube Alto dos Pinheiros.
HENRIQUE TERRONI FILHO – 07/07/2008
 |